segunda-feira, 7 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 10

Hoje falo de trabalho.
Nestes dias temos andado "por aí" a recolher amostras diria eu...de "quase tudo o que mexe".
Ele é sedimentos, ele é agua, ele é gelo, neve, plantas, água, gases da atmosfera...tudo.
O dia começa com a selecçao do local (rio/estuário/lagos). Andamos sempre à procura de gradientes de salinidade.  Depois partimos para o local, de skidoo (mota de neve) com trenó acoplado, carregados que nem mulas.
No local é remover neve, esburacar o gelo, e depois sob um frio glaciar recolher as amostras.
Tenho estado responsável pela amostragem das amostras de água e nem imaginam o que custa.
A água mais quente que até agora recolhi estava a 0.8ºC. 
Como a colheita tem de ser feita com luvas descontaminadas (finas) ficam-me a doer as mãos até aos ossos.  
Enfim. Sabem que mais. Custa mas compensa e muito só pela experiência.
Algumas fotos. Gostaria de pôr mais (tenho muitas mais) mas a internet por satélite é lentíssima e ficava aqui o dia todo.


Great Whale River (-23ºC)

O local

Recolha da água (reparem nas luvinhas :p)

Sonda multi-paramétrica 


SASA Creek (-17ºC)
(espécie de pântano congelado)

Pic-Nic antes do trabalho

Fazendo o buraco no gelo (1.5 m de neve por cima)

Toda a logística de amostragem


P.S. Ontem tivemos mais aurora boreal :). 

domingo, 6 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 9

Ai. Qanuikiit?
Qanuingitunga.

Tradução: Olá como estão? Eu estou bem :p.
Tal como o meu francês, o meu Inuktituk (lingua inuit) vai de vento em pôpa :).

Ontem depois de jantar e antes da excitação da aurora boreal fomos ao bar da vila.
Iam transmitir na TV o jogo de hockey no gelo (confesso que estou a ficar fã de hockey) entre os Canadians de Montréal e os Maple Leaf de Toronto (Montréal 3 - Toronto 1).
Claro que todos torciamos pelos Canadians.

Falemos do bar. Surreal. 80% dos presentes eram mulheres Inuit e Cree (outros habitantes daqui mas mais parecidos com índios). Desses 80%, cerca de 75% deveriam ter idades compreendidas entre os 40 e os 80. Carregavam latas de cerveja de mesa em mesa, bêbadas que nem cachos. Gritavam. Um ou uma estatelou-se no chão enquanto toda a gente gritava ohhhhh (caiu atrás de um balcão daí eu não saber o sexo). Outra gritava e apontava para o nosso grupo dizendo várias vezes "they are here for money". Outra mais idosa passou por mim duas vezes e olhando-me nos olhos disse "fuck you".  Eu nem percebia o que ela dizia. Indiscritível.

Mais tarde uma inuit simpatiquissima de 50 anos chamada Emily carregando ora cerveja ora Smirnoff ice sentou-se à mesa connosco. Perdida de bêbada perguntou várias vezes os nossos nomes e várias vezes disse que se chamava Emily. Dizia ainda que tinha caido e batido com a cabeça quando era nova na escola em Churchill. Daí,  por vezes andar meio passada.
Apesar de tudo era aquilo que nós chamamos "uma querida". Falou-nos da vida aqui, das dificuldades. De como as coisas se tornaram mais fáceis com o chegar da água canalizada este ano. Falou ainda que eles já começam a sentir os efeitos do aquecimento global. Dizia ela que o inverno este ano não tinha sido muito frio (chissa fará se fosse). Disse também que estão a aparecer animais aqui que geralmente só eram vistos muito mais a norte. Não à dúvida, o aquecimento global está aí. Finalmente ensinou-nos uma canção inuit que é cantada a dois e só com sons de garganta. Muito giro mesmo. Valeu a pena o bar só para ter conhecido a Emily (e pela vitória dos Canadians).

No bar foi onde eu, até agora, estive mais perto de um urso polar :).



P.S. Entretanto criei o email do blog (100acentos@gmail.com). Não me perguntem porquê nem para quê. Mas também tenho de me entreter com alguma coisa nas horas mortas em que me dedico ao aquecimento do corpo e mente :).

Season 3 - Episódio 8

São 00.18H de Domingo 6 de Abril de 2008.
Estou desde as 23.00H de sábado aqui no computador de volta do blog, dos mails. etc.
À cerca de 20 minutos a minha colega entra-me pelo quarto dentro aos gritos.
Estou a vê-la estou a vê-la, anda depressa.
Eu: what?
A aurora boreal estou a vê-la do meu quarto.
Qual quarto qual carapuça.
Pijama vestido e parca ao ombro (estavam -33ºC) saio a correr para a rua para observar um dos fenómenos que mais queria ver no Árctico.

Não tenho palavras para descrever o que acabo de ver.
São de rios de cor que atravessam o céu. Cortinas de luz que se vão formando e unindo umas às outras. Depois aparecem em diversos pontos do céu ao mesmo tempo.
Tudo o que possa descrever não está nem perto da realidade.
Estou só irritado por não poder partilhar fotos aqui no blog.
A minha máquina não dá para tanto.
Impressionante.
E continua.
Vou ver mais :).

Voltei.
A gozar a gozar e não é que a minha colega (a metralha) conseguiu tirar uma foto. Estou passado.
Aqui fica. Garanto-vos que não exprime o que acabei de ver.

É 01:09H da manhã. Vou dormir :).

sábado, 5 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 7

Hoje mais um dia de amostragem.
Fomos recolher amostras para o meio do mar, mar gelado. Impressionante.
Nevava fortemente. Um vento brutal. Não se via nada.
Claro que a minha colega continuou a fazer das suas.
Por isso a culpa não é minha. Ela é que é "metralha".
Assim que põe os pés na primeira camada de gelo leva com o vento pela pôpa e estatela-se no meio do gelo. Estatela-se e desliza. Um lindo espectaculo de "ice sailing" :).
Depois no regresso carrega uma vara de aluminio que parece mesmo uma cruz. E lá ia ela caminhando qual Jesus carregando a cruz a caminho do calvário.
Claro que, tal como na via sacra, cai quatro vezes com a "cruz" às costas.
Bom isto tem sido duro mas vamos rindo como ninguém.

Hoje deixo umas fotos do entardecer em Kuujjuarapik em dois sitios diferentes.
A malta tem de se ir mexendo para não congelar. :)
O verão Árctico chega em força. Nota-se uma diferença na luminosidade de dia para dia.


18:00H - No meio de um rio gelado


19:00H - No meio do mesmo rio


20:00H - Junto ao Centro


21:00H - Junto ao Centro

P.S. Chegaram 12 estudantes de uma Universidade de Montréal. Vamos ter de dar apoio a um grupo deles.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 6

Pronto, ok.
Eu sei que ás vezes perco um bocado o controlo e mesmo na brincadeira não penso no que faço.
A história reza assim então.
No primeiro dia quando cá chegamos estávamos todos entusiasmados, como é obvio.
Era o árctico, a neve, o gelo, os esquimós, era tudo novo.
Uma colega minha que está cá comigo decidiu então a atirar-me com bolas de neve.
À primeira eu disse: "pára quieta olha que levas com uma".
À segunda, eu repeti a frase.
À terceira e quarta vez tornei a repetir.
À quinta passei-me e atirei eu.
Agarrei no primeiro "pedaço" de neve que me veio à mão.
Com a agravante de, em vez de pegar numa bola de neve, agarrei num bloco de neve...tipo tijolo de iglo.

Ontem descobri que lhe tinha aberto a cabeça :p.
O que vale é que nos fartámos de rir à custa da situação.
 

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 5

Hoje começou o trabalho a sério.
Ele foi fazer buracos no gelo, recolher cores de gelo, amostras de água, amostras de sedimento, filtrar, cortar, envenenar (as amostras), etc etc.
Divertido e muito agradável pois a temperatura subiu até aos +2ºC. Sim leram bem +2ºC.
Isto é de loucos num dia -30ºC no outro +2ºC.
Tem sido uma "lufa-lufa" de veste casacos e calças, despe com o calor, põe e tira chapéus e gorros. É de doidos.
Hoje deixo algumas imagens do Centre D'études Nordiques (o meu francês progride em força).
Beijos e abraços directamente do frio (hoje até não muito).

O quartinho

O WC com o chuveiro visto através do espelho

Laboratório I (e o equipamento que queria ter em Lisboa :p )

Laboratório II

Vista de uma janela do laboratório

Sala de Refeições

Cozinha (cozinheira incluída)

Gary (mascote do centro)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 4

Hoje o dia nasceu cheio de sol.
Sol, mas -30ºC.
Trabalho intenso até meio da tarde e depois uma visita a pé pela comunidade.
Passeio extremamente agradável.
A quantidade de roupa e as botas (3 números acima do meu) é que não ajuda nada.
Alguns registos...

Kuujjuarapik

Stop

Casa de gente mais abastada

Câmara Municipal

Cruzamento

Inukshuk - simbolo de boas vindas e solidariedade dentro da comunidade 
(sim sou eu atafulhado de roupa)

Bar da Vila

Crianças Esquimós (simpáticas)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Season 3 - Episódio 3

Saudações do "quase" topo do mundo.
Uma viagem de 5 horas com paragem numa série de sítios.
Saída de Montréal com passagem 
por Val-D'Or, Waskaganish, Chisasibi e finalmente Kuujjuarapik.
Durante estas paragens entra e sai sempre gente.
Foi o meu primeiro contacto com o povo Inuit (Esquimó).
Quando chegamos e fomos para a estação senti-me dentro de um programa da National Geographic.
As primeira impressões....
Branco a cor dominante.
Frio, muito frio (-23ºC).
É mesmo um mundo à parte.
Inóspito à primeira vista mas depois acolhedor dentro de casa e no contacto com as pessoas.
As primeiras fotos:

Árctico visto do ar

Aeroporto de Kuujjuarapik

Casa Inuit

Centro de Estudos Nórdicos

segunda-feira, 31 de março de 2008

Season 3 - Episódio 2

Hoje relembrei a minha rotina na cidade.
Acordar mais cedo que em Lisboa e ir para o instituto.
O homem é mesmo um animal de hábitos e quando estes mudam sentimos falta.
Foi muito mas muito bom mesmo voltar a esta rotina.
Como fiquei num B&B (a única forma de ficar na minha rua) tinha o pequeno almoço incluído.
Foi o meu primeiro contacto com o árctico.
Quando vi os chás disponíveis, estavam lá estes:

Não provei nenhum pois de manhã prefiro café :p.
Saio à rua e um nevão formidável. Que bela forma de começar o dia

Depois a rotina do costume,
Trabalho. Reuniões de preparação da campanha. Almoço no sitio do costume.
Ir buscar casacos e calças polares para levar (e umas lindas botas :p).
Voltar a casa e preparar-me para ir beber um capuccino ao Starbuck e jantar por aí.
Avião amanhã as 7H45M. Serão 5 horas sempre "a subir".
Por esta hora, amanhã, estarei no Árctico :).

domingo, 30 de março de 2008

Season 3 - Episódio 1

E eis que começa oficialmente a minha 3ª temporada neste lado do Atlântico.
Hoje foi o dia de andar metido em aviões mas tudo correu bem.
Montréal recebeu-me com um final de tarde de sol e uma agradável temperatura de 1ºC.
Quantas saudades eu tinha de passar pela downtown de taxi e subir a St-Hubert.
Passei pelas minhas duas casas. O 3999 parece que continua desabitado. 
O 4231 continua com o outro gajo.
Ás 20h (hora daqui) já me encontrava a cumprir a tradição de ir jantar ao Le 940.
Entre pão, frango e batatas fritas, optei pelo frango.
Amanhã instituto para preparar a ida para o norte na terça-feira.
As primeira fotos...

Rue St-Hubert

Restaurante le 940

sábado, 29 de março de 2008

Desabafo #30

Estou à uma hora de mala e gavetas abertas sem saber o que tirar destas ultimas.

Que se leva para um local onde se esperam na próxima semana temperaturas de -40ºC?

Os momentos de maior animação têm sido "enxotar" o gato ora de dentro da mala ora de dentro das gavetas.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Contagem decrescente #5

2 Dias
E pronto a vida continua mesmo.
Agora é mesmo empregar todas as minhas energias nas próximas duas semanas. Quero tirar o máximo partido delas.
3 dias em Montréal
12 dias no Árctico.
Será a experiência de uma vida.

Temperatura em Kuujjuarapik (12h): -27ºC

quinta-feira, 27 de março de 2008

Frase do dia

Nunca esta frase me fez tanto sentido como hoje :)
"Aproveita que a vida são dois dias"

É claro que geralmente a frase é acompanhada com"...e o carnaval são 3", mas por hoje fico-me pela primeira parte. :p

Beijos e Abraços

J.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Crónica de uma morte anunciada

Hoje só me vem à cabeça este título do Gabriel Garcia Márquez.
É incrível como apesar de esperar-mos e até mesmo desejar-mos (por questões que se prendem com o sofrimento da pessoa) a morte de um parente próximo, na verdade nunca estamos à espera que ela aconteça.
Apesar de anunciada nunca, mas nunca, a morte é esperada.

terça-feira, 25 de março de 2008

Desabafo #29

Hoje regressava ao instituto vindo do gym.
Vinha, como é normal, a fazer zapping na rádio. De repente o search pára na M80 e oiço isto.
Bom, que saudades. Há muito que não ouvia isto. Saudades do tempo de liceu.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Interessante mas não relevante

É a nova politica na investigação nacional, pelo menos em alguns institutos de investigação públicos.
Vejamos.
Existem temas de investigação que estão neste momento "na vanguarda" mundial em termos científicos mas depois, quando queremos implementar/complementar/iniciar esses trabalhos em Portugal, corremos o risco de não o poder fazer, pois embora sejam “extremamente interessantes” não são contudo “relevantes”.
Exemplo: Imaginemos que faço o meu trabalho num instituto ligado à investigação na área dos vinhos. Através de uma leitura atenta do que se publica na imprensa científica internacional venho a achar que será extremamente interessante estudar as alterações climáticas pois penso que terão consequências inevitáveis na produção vinícola.
À primeira tentativa de avançar com um trabalho deste tipo são me logo cortadas as “pernas”, pois embora o tema seja interessantíssimo (as alterações climáticas) não é relevante para a missão da instituição (vinho). É o que eu chamo uma visão redutora.
Depois, ou perco uns dias a fazer um documento para provar por a+b que o “tema é relevante” ou então é melhor esquecer e ir bebendo uns copos (de vinho, claro) para esquecer.
Infelizmente, o problema é que quem decide muitas vezes não percebe nada do assunto. Enquanto forem economistas e gestores a “gerir” o tecido científico e tecnológico nacional, não vamos longe.

domingo, 23 de março de 2008

Dúvida #1

Serei considerado "muito infantil" se a partir de hoje começar a marcar no calendário um "X" por cada dia que falta para regressar a Montréal ?

quinta-feira, 20 de março de 2008

Farto

Hoje acordei "farto".
Farto de ter de me levantar cedo, farto da minha rotina diária, farto do trânsito, farto do meu trabalho, farto de forçosamente ter de lidar com pessoas que me irritam, farto de computadores, farto de spam, farto da imbecilidade das pessoas, farto de me imporem situações das quais eu quero é distância, farto de ter de pensar pelos outros, farto de equipamentos que aparentemente têm vida própria, farto de sentir que tenho de agradar a gregos e troianos, farto, farto. farto.
O melhor é experimentar dormir outra vez e voltar a acordar para ver se passou.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Arthur C. Clarke

O escritor inglês Arthur C. Clarke, faleceu ontem, terça-feira, aos 90 anos no Sri Lanka. Era considerado um dos mestres da ficção científica, autor de obras que marcaram o género.
Uma dessas obras, o conto "The Sentinel", de 1951, deu origem a um dos filmes-chave da ficção científica, "2001:Odisseia no espaço", realizado por Stanley Kubrick en 1968. Com esse filme, Kubrick conquistou um Óscar e teve mais de 10 nomeações para diversos prémios da cinematografia mundial. Foi sem dúvida um grande filme curiosamente muito actual.




Além da ficção científica, Clarke escreveu mais de 100 obras científicas e filosóficas nas quais procurou determinar o lugar do Homem no Universo.
"2001: Odisseia no espaço" não foi a sua única "carta de apresentação". Escreveu ainda "Childhood`s End" e "Rendezvous with Rama", que levaram os críticos a compará-lo a autores da craveira de Isaac Asimov e Robert Heinlein.
Muitas das obras científicas de Clarke introduziram conceitos que são actualmente "moeda corrente" no mundo da tecnologia.
Numa dessas obras, "Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?" (1945), o escritor lançou pela primeira vez a ideia de que os satélites geoestacionários poderiam ser excelentes centros das telecomunicações.
Lembro-me perfeitamente da série de televisão " O Misterioso Mundo de Arthur C. Clarke", na qual eu não perdia um episódio. Curiosamente a imagem que me ficou dessa série foi a da caveira de cristal.



A humanidade perdeu mais um grande senhor.

terça-feira, 18 de março de 2008

Desabafo #28

É incrivel o tempo que se perde neste país com assuntos/conversas da treta. Por assuntos/conversas da treta entendo aqueles momentos em que ouvimos e argumentamos com alguém sobre algo que na prática não interessa a ninguém nem contribui para o bem estar geral.
Momentos de reuniões, encontros, conversas de corredor, conversas de café, convervas de circunstância...
Claro que há sempre alguém que acha que isso faz parte do ritual de socialização, mas mesmo a socialização tem os seus límites.
Acho mesmo que uma das razões da falta de produtividade pode ser o tempo que se perde nestes rituais.
Hoje tive no instituto uma conversa de 1 hora com um superior que bem espremida (a conversa), não se aproveita nada.
Perdi uma hora da minha vida, uma hora de trabalho, uma hora de produtividade.
Temo que o meu caso não seja o único.
Assim vai o meu Portugal.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Rodízio

Três semanas, três refeições de rodízio.
Parece que se tornou moda entre os meus amigos ir almoçar/jantar rodizio.
A mim faz-me um bocado de confusão como é que há gente que delira com aquilo.
Não é que não goste da comida, mas ver aquela gente toda de volta de mim carregada de espetos com picanha com alho, picanha sem alho, maminha, lombo, frango, salsichas, presunto, peru com bacon, entrecosto, coração de galinha etc, etc, tira-me logo a fome.
Já para não falar da sensação de "ter comido um boi" que tenho nas horas seguintes.
E depois ver os pratos dos outros clientes cheios de carne até a cima, as bocas gordurosas, a dizer sim sim a uma nova iguaria....é quase a minha visão do inferno.
Como dizia hoje um amigo meu, "quando deixo de ter espaço no prato para cortar a carne, perco logo a vontade de comer".
E é isso mesmo, perder a vontade de comer.
Para muita gente deverá compensar monetariamente ir comer a um restaurante deste tipo. A mim não.


quarta-feira, 12 de março de 2008

Alguém me explique...

Será que alguém com formação nas áreas da psicologia, comportamento ou whatever me pode explicar o que passo a descrever?

Eu, como toda a gente ja senti saudades.
Saudades de familiares, de amigos, de praia, de comer um petisco qualquer...
Isto parece-me razoável. Familiares e amigos são os que sempre ou frequentemente nos estão próximos. Para um português que se preze, praia e barriga cheia por um manjar luso, também é motivo para, na sua ausência, nos deixar a salivar.

No entanto, sentir uma saudade quase doentia de uma cidade que fica a 5000km do nosso "habitat" natural e que, somando todos dias das oito vezes que lá estive não se atingir os 365, não me parece muito normal. Isto também atendendo ao facto de na ultima temporada que lá estive (quase 6 meses) ja estar desejoso por regressar a casa.
De facto tirando os primeiros dias após o meu regresso, sempre senti uma certa nostalgia por cá estar. Mas cá me ia aguentando. Hoje no entanto a minha amiga SCS colocou um cometário com um link de um blog de Montréal onde se referia o ter ocorrido mais um nevão na cidade.

Não é que desde que vi as fotos parece que se me aperta o peito com uma ansiedade enorme por regressar. É normal ? Estarei bom da cabeça? Como dizia o Variações. só estarei bem onde não estou ?



Credits: Blog Montréal Daily Photo

terça-feira, 11 de março de 2008

Breaking News

É oficial.
Já o tenho :).


Nota de rodapé: Enquanto esperava que me o entregassem estive a brincar com um MacBook Air. É o verdadeiro conceito de portátil.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Orgãos vestigiais #1

Orgãos vestigiais são aqueles que, em alguns organismos, se encontram com tamanho reduzido e geralmente sem função, mas noutros são maiores e exercem função definitiva.
A importância evolutiva desses órgãos vestiginais é a indicação de uma ancestralidade comum. Um exemplo bem conhecido de órgão vestigial no homem é o apêndice, estrutura pequena e sem função que parte do ceco (estrutura localizada no ponto onde o intestino delgado liga-se ao grosso). Nos mamíferos roedores, o ceco é uma estrutura bem desenvolvida, na qual o alimento parcialmente digerido á armazenado e a celulose, abundante nos vegetais ingeridos, é degradada pela acção de bactérias especializadas. Como não ingerimos celulose, o apêndice não tem grande importância a não ser quando inflama e temos de ser operados de urgência.

Outros orgãos vestigiais são os dentes do siso. Os sisos são os últimos dentes a desenvolverem-se. O ser humano, em sua maior parte, tem quatro sisos, um em cada canto da boca. O dente do siso não está presente em todas as pessoas, algumas vezes porque a pessoa não tem o gene deste dente e outras vezes porque ele não erupcionou por falta de espaço na arcada dental ou por estar na posição "errada" dentro do osso. Parece que a sua existência tem também a ver com a alimentação dos nossos antepassados.

Tirei um dente do siso. Tenho outro em fila de espera para ser retirado.
Neste momento pode observar-se uma enorme cratera na parte superior do maxilar.
Porque raio a evolução não é mais rápida a retirar o que não faz falta :( ?
Felizmente tenho um excelente dentista.

quinta-feira, 6 de março de 2008

É, mas pode não ser...

Lembro-me de ser puto e ler o Principezinho.
Uma das imagens que me lembro era esta:


Se bem me recordo, o discurso em relação a esta imagem era mais ou menos este. O principe perguntava que chapéu era aquele e o outro dizia-lhe que não era um chapéu mas apenas uma serpente que tinha comido um elefante.


Mais tarde quando tive física no liceu aprendi que tudo é relativo. Na fisica clássica (de Newton) o estado de movimento/repouso de um corpo depende muito do observador. Por exemplo: Se eu estiver dentro de um comboio a deslocar-se com uma bola em repouso na minha mão, a bola estará em repouso em relação a mim, mas em movimento em relação a uma pessoa que esteja fora do comboio e como tal a vê-lo passar. Einstein concordou com isto com apenas uma excepção. A luz. Seja qual for e, esteja onde estiver o observador, a velocidade da luz é sempre a mesma.

Deixando agora estes pormenores de parte tenho pensado muito neste últimos dias na "relativade" do nosso dia a dia. Aquilo que hoje é, amanhã ja não é. Aquela pessoa que hoje é a/o nossa/o melhor amiga/o amanhã até pode já não ser porque relativamente a uma terceira esta até não alinha naquilo que achamos ser importante, nos nossos valores, nos nossos ideais, nas nossas tretas. Se observo X na perpectiva de precisar dele seja lá no que for, X para mim é super, mas se a minha disposição já não for essa então é preferivel estar com Y. E isto observa-se em todo o lado. Escola, trabalho, circulo de amigos, clubes, relacionamentos, tudo.

E sabem que mais. Cansa. Preferia ver/ser/agir como a luz. Independente do observador.

Fiz-me entender?

segunda-feira, 3 de março de 2008

sábado, 1 de março de 2008